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Desenvolvimento económico: porque é que nem todas as empresas jogam com as mesmas regras?
Num novo policy paper publicado pela SKEMA Publika, Victor Motta, professor de economia na SKEMA Business School no campus de Belo Horizonte e membro do SKEMA Centre for Sustainability Studies, analisa as desigualdades persistentes entre pequenas e grandes empresas nos países em desenvolvimento. Acesso ao financiamento, inovação, recrutamento ou exportações: o estudo mostra que as condições de crescimento continuam muito desiguais entre as empresas.
Porque é que algumas empresas inovam, exportam e recrutam enquanto outras têm dificuldade em crescer? Num novo policy paper publicado pela SKEMA Publika, Victor Motta analisa as fortes disparidades que estruturam o setor privado nos países emergentes e em desenvolvimento. A partir de dados do Banco Mundial, o economista compara as condições em que as empresas operam de acordo com a sua dimensão, setor de atividade e região do mundo.
A primeira conclusão é clara: as grandes empresas têm, em geral, melhor acesso ao financiamento, investem mais em formação, inovam com maior facilidade e exportam mais. Em contrapartida, as pequenas estruturas permanecem mais expostas a dificuldades de financiamento, falta de competências e concorrência da economia informal.
Uma ligação entre presença internacional e inovação
“As políticas económicas tratam frequentemente as empresas como um conjunto homogéneo, quando as suas limitações são muito diferentes”, sublinha o estudo. O artigo mostra também que as empresas mais presentes nos mercados internacionais são igualmente as mais inovadoras, sobretudo graças a um melhor acesso a tecnologias e competências. Outro ensinamento importante: as desigualdades continuam elevadas no que diz respeito à formação dos colaboradores. As grandes empresas implementam muito mais frequentemente programas estruturados de desenvolvimento de competências do que as pequenas estruturas.
O estudo aborda ainda a questão da liderança feminina, revelando diferenças marcadas entre setores e regiões do mundo.
Perante estes resultados, Victor Motta defende políticas públicas mais direcionadas: simplificação administrativa, facilitação do acesso ao financiamento, apoio às PME, investimento em competências e combate à economia informal.